O efeito do amor é mesmo similar ao de drogas?

Veja mitos e verdades

O efeito do amor na mente é similar ao uso de uma droga. VERDADE.

Segundo a coordenadora do programa de estudos em sexualidade da USP, Carmita Abdo, quando a pessoa se apaixona há uma liberação de neurotransmissores que tornam a pessoa mais excitável, atenta e energizada.

Amor pode liberar mais hormônios do que o necessário. MITO.

"Após o indivíduo se apaixonar há uma descarga maior de hormônios sexuais e, na sequência do relacionamento, acontece uma descarga de ocitocina, substância responsável pelo vínculo afetivo, caso esta casal venha a desenvolver, além do sentimento de atração, uma vontade de continuar o relacionamento", explica Carmita Abdo, coordenadora do programa de estudos em sexualidade da USP.

Há diferença nos hormônios liberados por homens e mulheres ao se apaixonarem. MITO.

O hormônio que define a motivação sexual tanto de homens quanto de mulheres é o mesmo, que é a testosterona. De acordo com a coordenadora do programa de estudos em sexualidade da USP, Carmita Abdo, "quando há uma vinculação entre o casal, há a liberação de ocitocina pela mulher e de vasopressina pelo homem. Ambas as substâncias, que não são hormonais, têm o mesmo efeito no organismo e são produzidas no momento que o casal vai passando pelo período de querer ficar junto" .

Os hormônios do amor também são os que causam ciúme. MITO.

Carmita Abdo, coordenadora do programa de estudos em sexualidade da USP, explica que o ciúme não tem vinculação com descarga hormonal. Ele está muito mais ligado com características de personalidade e perfil mais afetivo do indivíduo. "A pessoa é mais ou menos ciumenta por conta da personalidade. Agora, a obsessão está ligada a descargas de neurotransmissores em excesso, que acabam aumentando as possibilidades de a pessoa se tornar fixada pela outra", diz.

A falta de amor pode causar deficiência de hormônios no organismo. MITO.

De acordo com Carmita Abdo, coordenadora do programa de estudos em sexualidade da USP, existem pessoas que absolutamente não conseguem se envolver ou sentir vontade de se vincular com outras apesar de estarem com a taxas hormonais bastante preservadas. "A presença de hormônios é imprescindível para que o indivíduo tenha motivação sexual, especialmente da testosterona, mas não é suficiente. Não basta estar saudável para dizer que essa pessoa vai se envolver e se apaixonar. Essa é uma condição necessária, mas não suficiente. A pessoa tem que ter predisposição, se permitir e querer viver a experiência".

O amor ou a paixão podem aumentar ou diminuir o apetite. VERDADE.

"Nós vemos frequentemente pessoas muito apaixonadas que se esquecem de comer e se sentem saciadas por aquela situação. E isso tem relação com um estado de alerta muito grande causado pela liberação de neurotransmissores, que acaba inclusive consumindo as reservas do organismo, fazendo até a pessoa emagrecer. Mas isto é passageiro, já que o estado de paixão não dura para sempre", explica Carmita Abdo, coordenadora do programa de estudos em sexualidade da USP.

O amor interfere na pressão arterial. VERDADE.

Segundo Carmita Abdo, a fase inicial de paixão intensa por alguém acelera os batimentos cardíacos, aumenta a frequência respiratória, a temperatura e pode também fazer com que a pessoa se sinta doente, por conta da liberação de neurotransmissores no organismo. "Morrer de amor é uma expressão popular, mas pode acontecer, não com frequência, com quem já tem uma deficiência cardíaca e entra em um estado de excitação extremo", explica.

Quem está apaixonado fica menos estressado. VERDADE.

A diminuição de estresse acontece quando a pessoa entra no estágio de amor correspondido, compensada pelo afeto que o outro tem por ela, trazendo uma sensação de paz interior. Carmita Abdo, coordenadora do programa de estudos em sexualidade da USP, explica que a dopamina é o neurotransmissor que traz essa sensação de recompensa. Segundo Jairo Bouer, psiquiatra e blogueiro do UOL, o mais comum é que nas fases iniciais da paixão a pessoa sinta uma inquietação e ansiedade muito grandes, que tendem a melhorar com o tempo e com a intimidade.

Beijar e abraçar aliviam a ansiedade. VERDADE.

"Imagina o bebê que está no berço chorando de uma forma desconsolada e, quando a mãe o pega no colo, ele prontamente para de chorar. Logo nos primeiros dias de vida, esta contenção que acontece conosco vai nos acompanhar o resto da vida. E se, durante o relacionamento, este abraço trouxer a mesma qualidade de quando bebê, ele vai trazer uma sensação de paz, tranquilidade e de relaxamento. E o beijo funciona da mesma forma, pois é durante o ato que as pessoas oferecem algo para o outro", diz Carmita Abdo, coordenadora do programa de estudos em sexualidade da USP.

Fazer sexo aumenta a quantidade de anticorpos no organismo. PARCIALMENTE VERDADE.

Quando a pessoa pratica sexo e ele é satisfatório, a imunidade fica muito melhor desenvolvida, pois, segundo Carmita Abdo, coordenadora do programa de estudos em sexualidade da USP, as sensações de bem-estar, leveza, satisfação e prazer acabam revertendo em maior proteção imunológica. Já o sexo que decepciona não traz nenhum benefício.


Créditos: Conteúdo publicado no site UOL/Saúde, com informações da coordenadora do programa de estudos em sexualidade da USP Carmita Abdo.

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