Você realmente está comendo bem?

Saiba mais sobre deficiência nutricional

Muitas pessoas acreditam que o bom e velho prato de arroz, feijão, bife e salada são suficientes para trazer todos os nutrientes que o nosso corpo precisa. E por isso algumas deficiências passam despercebidas por nossos olhos, tendo consequências graves em nossa saúde.

Saiba mais sobre alguma delas:

DESNUTRIÇÃO: pode acontecer pela falta de uma substância especificamente ou de várias. "A de ferro, chamada anemia ferropriva, é a mais comum, porém a hipovitaminose A (penúria de vitamina A) também preocupa", salienta Flávia Barbosa, mestre e doutora em Endocrinologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). O leite é uma das fontes da vitamina A.

CARÊNCIAS NUTRICIONAIS: são, em geral, decorrentes de uma alimentação inadequada - em quantidade e/ou qualidade - ou causadas por determinadas doenças (com sintomas como diarreias e hemorragias) que resultam em maior perda de nutrientes ou aproveitamento errôneo pelo organismo - vide casos de câncer e de alguns tipos de anemia.

DOENÇAS: má nutrição não é problema somente de pessoas que pertencem às esferas sociais desfavorecidas. "Países ricos e indivíduos pertencentes às classes mais
altas também apresentam questões de saúde direta ou indiretamente relacionadas a uma alimentação escassa, como: doenças crônicas não transmissíveis - obesidade, hipertensão arterial, câncer e diabetes -, entre outras", destaca Flávia Barbosa.

DIETA POBRE: entre as principais razões da deficiência nutricional estão a ingestão insuficiente devido a uma dieta pobre; falha na absorção, pelo intestino, de itens ingeridos; consumo anormalmente alto de nutrientes pelo corpo; ou perda excessiva de vitaminas, minerais e etc, por processos como diarreia, sangramento (hemorragia) e insuficiência renal, entre outros. As consequências mais diretas são o aparecimento de enfermidades crônicas como as cardiovasculares, cânceres, diabetes e obesidade.

TRANSTORNOS ALIMENTARES: vivemos em uma sociedade em que a cobrança por um corpo perfeito e "aceito" interfere muito na alimentação não só de adultos e adolescentes, mas, também, do público infantil. De acordo com a endocrinologista Flávia Barbosa, vemos não só adolescentes com transtornos alimentares (anorexia, bulimia, compulsão alimentar), como crianças afetadas pela ditadura estética. Todos têm tanto o "medo de engordar" quanto a "vontade de emagrecer", o que leva a lacunas na dieta.

HÁBITOS ALIMENTARES: tudo é um hábito. "Se a pessoa passa a ingerir produtos naturais, mais frutas, legumes e verduras com temperos naturais, acabará identificando o sabor in natura dos alimentos mais gostoso. O fast food é lotado de gordura e conservantes químicos. É mais prático, o que atende as pessoas, mas não dá para perder de vista que representa um suicídio lento para as células do corpo", assegura a nutricionista esportiva e ortomolecular Gabriela Zugliani.

FALTA DE VITAMINAS: de acordo com uma Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na faixa etária de 19 a 59 anos, as maiores prevalências de inadequação nutricional competem à vitamina D, vitamina E, cálcio, magnésio, vitamina A e vitamina C. "Com um cardápio pobre em nutrientes gerais, o adulto terá baixa imunidade e estará mais exposto a infecções, além de ter maior risco para doenças crônicas não transmissíveis, depressão, falta de libido e outra série de problemas. Disfunções cardiovasculares, hipertensão, câncer, colesterol alto e atrofia cerebral são as principais relacionadas com a alimentação falha na fase adulta. Isso porque, no geral, a escassez acontece com todas essas vitaminas de uma vez, e não em casos isolados", opina a endocrinologista Flávia Barbosa.

FOME OCULTA: existe hoje a chamada fome oculta, que ocorre em decorrência do cardápio rico em produtos extremamente gordurosos e açucarados, que faz com que crianças e adultos apresentem excesso de gordura, sal e açúcar no organismo, ao lado de privação de vitaminas e minerais.

DEFICIT NUTRICIONAL: se você se sente fatigado, sofre com enxaqueca, tem prisão de ventre, vê seu cabelo cair muito e as unhas cada vez mais fracas, apresenta infecções frequentes, está inapetente, sente-se tonto e percebe o tornozelo inchado, além de ter dores no corpo, insônia e mau-humor, é provável que esteja sofrendo com o deficit nutricional, alerta a nutricionista Gabriela Zugliani.

IDENTIFICANDO: somente com a identificação conjunta de sintomas, o indivíduo
identificará de maneira mais específica as carências nutricionais que podem acometê-lo em cada momento da sua vida. Os sinais clínicos mais comuns são alterações nas unhas (estrias-verticais e horizontais, concavidade, facilidade de quebrar e aparecimento de manchas); queda de cabelo, cabelo seco e/ou quebradiço; zumbido no ouvido; alterações no sistema imunológico e metabólico; ansiedade, irritabilidade ou nervosismo e hiperatividade; pele ressecada (eczema); e fadiga.

DIAGNOSTICANDO: a correlação entre sinais de possíveis lacunas nutricionais deve ser realizada de forma criteriosa, pelo fato de que muitas manifestações estão relacionadas com a ausência não apenas de um único nutriente. Assim, é importante associar, a esse estudo, a anamnese (questionário feito pelo médico ao paciente) detalhada e a avaliação de exames laboratoriais. "A união de todos os critérios permitirá elaborar um plano alimentar individualizado que cumpra as necessidades do paciente", reforça a endocrinologista Flávia Barbosa.

SHAKES: apesar do modismo dos shakes, nenhum deles substitui uma alimentação saudável e equilibrada. "Diversos estudos comprovam que tal suplementação pode auxiliar na prevenção de males, porém com reservas. Sendo assim, é de extrema importância o acompanhamento nutricional para se ter certeza da ingesta de todos os nutrientes necessários. Vale fazer um menu equilibrado, como todos os grupos alimentares e sem exceder os limites de sódio, gordura saturada e açúcar, recorrendo à complementação apenas quando esta se fizer necessária", defende Flávia Barbosa.


» É sempre importante consultar um médico.


Créditos: Conteúdo publicado no site do UOL/Saúde, com informações de Flávia Barbosa, mestre e doutora em Endocrinologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da nutricionista Gabriela Zugliani.

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